Grupo Folclórico de Arrifes

Grupo Folclórico de Arrifes

Arrifes é a maior freguesia do Concelho de Ponta Delgada, assim como a maior bacia leiteira do Arquipélago. As suas características edafoclimáticas, e a sua proximidade com a cidade de Ponta Delgada, fizeram com que se desenvolvesse na fileira da frente no sector agro-pecuário, sendo durante muito tempo a freguesia que abastecia a cidade com produtos lácteos e hortícolas.
O homem do campo, lavrador simples, mas de muito brilho no trabalho, caracteriza o Arrifense, que no seu passado deu origem a cantadores, poetas e tocadores que enriqueceram a história da cultura popular da nossa ilha. Numa das tradições mais pitorescas da nossa terra, as “Danças de Carnaval”, nasceu o Grupo Folclórico de Arrifes. Formada a “Dança” e terminado o carnaval, um grupo de jovens orientado pelos mais velhos quiseram ir mais longe, criando um grupo folclórico, onde as nossas tradições e costumes fossem lembrados.

Criado o grupo em 1992, desde esta data temos realizado anualmente o nosso Festival, com a participação de grupos locais e oriundos do Continente e Ilhas, em regime de intercâmbio. Assim, também é uma forma de aumentarmos os nossos conhecimentos e fazer parte desta grande família, o folclore português.
O grupo tem feito um contínuo trabalho de recolha das nossas tradições locais, reportando ambientes, tais como a matança, os serões de milho e outros para os nossos dias. Os nossos trajes reflectem o Arrifense nas suas várias labutas diárias e em dias solenes, como era o Domingo, em hora de “ir a Deus”. À parte da variedade de trajes apresentada, mostra os recursos existentes no isolamento que então se vivia na nossa ilha. A lã, o linho e o couro eram as matérias-primas. O seu uso e confecção variavam com o tipo de trabalho e estações do ano.
No nosso traje é de destacar o “Capote e Capelo” a Carapuça e o Barrete de Lã que, tal como no campino representa o nosso homem rural.

Como instrumento musical de relevo, temos a Viola da Terra, também chamada de Viola dos Dois Corações ou Viola de Arame. O seu som requebrado, triste na Saudade e alegre na Chamarrita, não é indiferente a qualquer micaelense, nem mesmo a quem nos visita e tem o encanto de a ouvir. Segundo alguns investigadores, tem origem em três violas: a braguesa (Braga), a amarantina (Coimbra) e a campaniça (Alentejo) e com os primeiros povoadores, a junção destas deu origem àquela que hoje se conhece, mantendo inalterada a sua forma, afinação e execução, tal como era.
No decorrer dos trabalhos do campo, ou mesmo por qualquer ocasião festiva, em que uma viola estivesse presente, o povo mostrava a sua alegria. Os nossos bailhos surgiam espontaneamente, formados geralmente em roda, sobre o comando de um homem mais velho, ou outro com mais jeito.

No terreiro a viola dava o chamamento ao bailho, e então os rapazes apressavam-se a convidar as raparigas, pois esta era das poucas oportunidades para lhes falar em namoro ou até mesmo as tocar. O Pezinho da Vila era dos mais requisitados, onde os cantadores a seu jeito faziam sátiras às pessoas e situações da sua terra, o que dava alas à animação de todos. Esta moda tornou-se tão popular, que hoje é das mais conhecidas e mais representativas das ilhas dos Açores. Mas também havia sentimento nestes terreiros, a Saudade é das modas, que para o “bailho” transporta todo o seu sentido. Os pares “bailhando” de cabeça baixa, lembravam tempos idos, pessoas que partiram para terras longínquas, e outros para muito mais longe, para o além junto a Deus. Assim se expressa a nossa gente, de forma simples mas sentida. É isto que o nosso grupo folclórico pretende não deixar só no passado, mas no presente, pesquisando e ensinando os mais novos. Trabalho este que é sempre extenso, pois nunca teremos certezas, mas a vontade de continuar a conhecer um pouco mais de nós mesmos está bem patente.